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Blumenau (SC), desabrigados vivem em terra invadida
Publicado por redacao on maio 28, 2009
“Desabrigados, mas não derrotados” diz uma faixa na entrada de um terreno da prefeitura de Blumenau (139 km de Florianópolis) invadido pelos membros do autointitulado Movimento dos Atingidos pelo Desastre (MAD). Em uma área pouco distante do centro, bem arborizada e com ares de zona rural estão morando 24 famílias que perderam a casa com as enchentes do ano passado, mas que se recusaram a ficar nos abrigos do município.
“São 70 pessoas no mesmo lugar, muito barulho, não tem privacidade. Aqui a gente faz o que quer, entra e sai quando quer. Lá tem um monte de regra”, afirma Olandir Cirino, 28, garçom desempregado, referindo-se aos abrigos. Ele mora em uma casa de madeira com quatro filhos e a mulher. A família vive com o seguro-desemprego e com o dinheiro que Olandir consegue com “bicos”.
Desde o começo de março, seis abrigos, chamados pela prefeitura de moradias provisórias, receberam os desabrigados que estavam alojados em prédios públicos da cidade. Atualmente são 1.420 pessoas, ou 316 famílias, vivendo em módulos de madeira que têm entre 25 e 37 m². “O módulo é muito quente, tem gente berrando, criança para todo lado. Eu fiquei lá só dois dias”, conta Jéssica Pereira, 18, dona-de-casa. No terreno invadido, enquanto sua casa está sendo montada, ela mora com a sogra.
Edeniuse Bastista, 34, costureira, também morou no abrigo da prefeitura, mas afirma que seu módulo foi invadido. “Eles mexeram nas minhas coisas. Tinha um guarda que ficava lá perto da porta, mas ele não viu nada”, afirma. Ela ficou na moradia provisória durante 15 dias e, como tinha contato com o MAD, decidiu vir para o terreno invadido. “Quem quis ficar lá [no abrigo] é porque provavelmente tinha uma vida pior antes”, opina Olandir.
O movimento ocupou a área no último dia 19 de fevereiro. Aqui eles vivem com água e energia elétrica, já que o local antes era usado por uma associação de moradores. A fiação e os canos foram puxados para cada uma das casas. Não há regras pré-determinadas, mas, uma vez por semana, os moradores se reúnem para discutir os problemas coletivos.
A invasão foi parar na Justiça. A prefeitura pediu a reintegração de posse do terreno, mas no começo de abril o Tribunal de Justiça permitiu que os invasores permanecessem na área. Segundo o desembargador responsável, as famílias poderiam ficar ali até que o governo municipal disponibilizasse nova casa para elas. O governo recorreu.
Antes de invadir o terreno, os desabrigados ficaram acampados quatro dias na frente da prefeitura para reivindicar moradias. “Cortaram a luz e não deixavam a gente usar o banheiro. O prefeito recebeu a gente só uma vez”, diz Olandir. “Eles não cumpriram as reuniões que marcavam com a gente”, afirma.
Mas o governo se recusa a conversar. “Eles vivem com mentiras. Foram feitas diversas reuniões, oferecemos as moradias temporárias, fizemos propostas como oferecer auxílio-aluguel para quem tem direito. Eles querem viver na ilegalidade, não aceitamos mais conversar”, afirma Mário Hildebrandt, secretário de Assistência Social, da Criança e do Adolescente.
A construção de novas casas é lenta. O governo do Estado destinou verba para a compra de terrenos, mas para obter novas moradias os desabrigados e desalojados devem entrar em programas habitacionais. A perspectiva é de que 1.000 residências sejam entregues este ano.
Os membros do MAD não sabem se vão receber casas ou não, e não arriscam adivinhar quando devem deixar o terreno. Enquanto aguardam, vão construindo suas novas vidas ali mesmo.

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